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Mudando o Cotidiano - Avanços modernos


Ao final do século XIX já havia domínio suficiente da eletricidade para avanços mais sofisticados. A partir de então foi descoberto o elétron e dispositivos mais complexos foram desenvolvidos, revolucionando a medicina (Raio X) e incrementando o lazer (cinema e televisão). No século XX outros desenvolvimentos foram importantes, como o radar que teve papel decisivo nos sistemas militares de defesa, culminando com a invenção do computador e a miniaturização da eletrônica.

O físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen descobriu em 1895 a emissão de raios até então desconhecidos, a partir de tubos de raios catódicos, capazes de atravessar obstáculos e velar filmes fotográficos. Por não se conhecer a sua natureza foi batizado de “Raio X”, e o nome provisório acabou ficando.  Após algumas experiências constatou que uma folha de platinocianeto de bário se tornava fluorescente (em ambiente escuro) sempre que ele ligava o seu dispositivo. Em seguida observou que se a mão fosse colocada entre a folha e a fonte do raio, era possível observar a estrutura óssea do membro. Era possível também obter estas imagens com o uso de chapas fotográficas e esta ferramenta revolucionou a medicina e trouxe significativos benefícios a outros setores.

Foi também a partir de experiências com tubos de raios catódicos que o físico inglês Joseph John Thomson (1) em 1897 pela primeira vez identificou a existência da partícula atômica responsável pelos fenômenos elétricos, o elétron, que deu origem ao entendimento da estrutura do átomo. Thomson descreveu um modelo atômico apelidado de “pudim de passas”, onde o átomo seria uma massa esférica de carga positiva salpicada de elétrons de carga negativa. Posteriormente, já no século XX, o físico e químico neozelandês Ernest Rutherford demonstrou em 1911 que o átomo não é maciço e defendeu um modelo “planetário”, com os elétrons em órbitas de um núcleo denso de cargas positivas.

Niels Bohr, físico dinamarquês, corrigiu este modelo em 1913 propondo que os elétrons descrevem órbitas circulares específicas e definidas e emite energia ao mudar de uma órbita externa para uma interna e absorve energia em situação inversa.


O ENIAC (Electronic Numerical Integrator And Calculator), concebido por John P. Eckert, John W. Mauchly e outros cientistas da Universidade da Pensilvânia foi construído em 1945 e começou a funcionar em 1946, e por muito tempo foi considerado o primeiro computador. Porem, o matemático inglês Alan Mathison Turing foi pioneiro em conceber máquinas capazes de processar informações a partir de instruções. Baseado nas idéias de Turing, o primeiro computador programável foi construído na Inglaterra em 1943 e era utilizado em cripto-análise (quebra de códigos) de mensagens alemãs cifradas pelas máquinas de Lorenz, semelhantes, mas mais complexas que as Enigma (2) anteriormente decriptadas por Marian Rejewski e Turing com máquinas eletromecânicas chamadas Bombas. O computador, batizado Colossus, operava com válvulas eletrônicas e foi concebido por Max Newman (baseado na hipotética máquina universal de Turing) e construído por Thomas Flowers.

Dívida eterna
Alan Turing permaneceu desconhecido por muito tempo e alem disto sofreu violento preconceito das autoridades inglesas após descobrirem sua homossexualidade. Foi condenado a tomar hormônios e impedido de continuar desenvolvendo seus trabalhos em projetos de computadores. Caiu em depressão e se suicidou com veneno em 1954, aos 41 anos de idade.

Neste mesmo período a Inglaterra priorizou também o desenvolvimento do radar. Seus princípios básicos já eram conhecidos, e vários cientistas já haviam construído dispositivos que permitiam a detecção de objetos distantes por reflexão de ondas eletromagnéticas. Coube, entretanto ao escocês Robert Alexander Watson-Watt (3) coordenar o desenvolvimento da tecnologia para a defesa inglesa.

A criatura e o criador
Após a guerra, Watson-Watt mudou-se para o Canadá e como todo mortal acabou sendo multado em uma rodovia por excesso de velocidade, flagrado por um radar portátil das autoridades locais. Com a publicidade da ocorrência Watson aproveitou as manchetes.

O desenvolvimento do computador e do radar pelos ingleses durante a segunda guerra foi mantido em segredo por muito tempo, por se tratarem de projetos militares classificados.

Em 1947, os físicos americanos John Bardeen e Walter Houser Brattain que trabalhavam na Bell Labs com pesquisas em semicondutores, inventaram o transistor, que viria então a substituir as válvulas termiônicas e marca a transformação radical da eletrônica, permitindo os avanços subseqüentes, como o desenvolvimento de circuitos integrados (1959), que por sua vez viabilizou o aumento cada vez maior da complexidade e miniaturização dos equipamentos, tendo esta tecnologia sido responsável pelo alto nível tecnológico observado nos dias de hoje.
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1-Apesar do sobrenome, não há grau de parentesco entre J.J. Thomson e William Thomson (Lord Kelvin). No entanto, ambos presidiram a Royal Society, entidade britânica presidida também por Isaac Newton entre 1703 e 1727.
2-Arthur Scherbius (1878/1929), engenheiro eletricista alemão inventou uma máquina elétrica para codificar e decodificar mensagens em 1918 para uso comercial e militar. Batizada de “Enigma” teve pouca aceitação de início, porem posteriormente os militares alemães perceberam que estavam atrasados no campo da criptografia, ao contrário de outros países europeus como Inglaterra e França, e que suas mensagens estavam vulneráveis aos cripto-analistas. Investiram então no modelo militar desta máquina, adquirindo milhares delas, que era de fácil uso e permitia inúmeras configurações o que possibilitou que os códigos fossem alterados diariamente.
3-Watson era descendente do engenheiro James Watt, famoso pela sua contribuição à máquina de vapor no século XVIII, que teve papel de destaque na "Revolução Industrial".

Efeito Edison

Em 04 de Julho de 2012 repercutiu bastante a notícia anunciada pelos físicos da suposta comprovação do bóson de Higgs (1), partícula que confere massa às demais partículas sub-atômicas. Esta seria a prova final de validação da teoria do modelo padrão das partículas, cuja importância é enorme, apesar de pouco compreendida pelas pessoas em geral. Aliás, o mundo sub-atômico só faz sentido com a ajuda de modelos embasados em complexas formulações matemáticas e mesmo os físicos só conseguem nos fazer captar algo sobre o que acontece neste microcosmo através de analogias cotidianas, como a que compara o campo de Higgs a um aglomerado de “paparazzi”, onde pessoas anônimas conseguem caminhar sem maiores dificuldades entre eles (seriam as partículas sem massa), porém para personalidades (como a Shakira, por exemplo) as dificuldades seriam maiores (muita massa).

A busca por partículas sub-atômicas teve início no final do século XIX e o primeiro sucesso foi a descoberta do Elétron. Foi em 1897 que o físico britânico J.J. Thomson comprovou que eram partículas com massa e eletricamente carregadas que se deslocavam do catodo ao anodo de uma ampola de Crookes (tubo de raios catódicos) e isto lhe rendeu um prêmio Nobel, mas esta história começou um pouco antes.


O enredo do desenvolvimento da lâmpada incandescente (1879) por Thomas Edison é bem conhecido, porém pouco depois disto (década de 1880) Edison tropeçou numa observação que não conseguiu explicar ou descobrir uma utilidade prática e de preferência comercial que lhe incentivasse a se aprofundar nas causas do fenômeno observado.

Suas lâmpadas incandescentes apresentavam freqüentemente um intrigante enegrecimento localizado na parte interna da ampola de vidro. Estando as ampolas submetidas ao vácuo não conseguiu uma explicação plausível para este efeito. Entretanto, foi um pouco mais alem, inserindo um segundo filamento na ampola e verificou que algo diferente acontecia. Polarizando este segundo filamento com potencial positivo havia um fluxo de corrente entre os filamentos afastados, porem quando polarizado com potencial negativo o fluxo não acontecia.

Era a descoberta da válvula (diodo), cuja propriedade de condução da corrente elétrica em apenas uma direção deu início a eletrônica (2). Este efeito, hoje conhecido como termiônico ou apropriadamente batizado de “Efeito Edison”, acontece pela ejeção de elétrons do filamento aquecido. O fluxo de elétrons colidindo com o vidro da lâmpada é que provocava seu enegrecimento, mas até então nada se sabia da partícula e Edison não conseguiu imaginar a importância do que estava por detrás do efeito, porém mesmo assim patenteou sua descoberta.

Foi com a introdução de um campo magnético (ímãs) ao redor do feixe de elétrons que se conseguiu controlar a direção deste fluxo e mais tarde toda uma enorme quantidade de invenções de uso cotidiano passou a utilizar esta propriedade, como a televisão, por exemplo.

Hoje, já não se consegue mais acompanhar os avanços da física e muito menos perceber o grau de importância das novas descobertas, que se supõe ficarão mais claros para as gerações futuras, pois o nível de abstração necessário para entender o que realmente são os tijolos do universo parece inatingível no nosso estágio de desenvolvimento. Teorias proliferam e cada vez mais incompreensíveis se tornam, apesar de estarem muitas vezes embasadas em cálculos e medições confiáveis.

Descobertas mais recentes como a Energia Escura e Matéria Escura bem como elucubrações complexas como a Teoria das Cordas (3) fazem da física uma ciência sem fronteiras, pois a cada descoberta se revelam novos problemas ainda mais complicados.
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1-Partícula prevista pelo cientista britânico Peter Higgs em 1964. O bóson de Higgs é uma manifestação de algo ainda mais importante, o campo de Higgs, que segundo a teoria permeia todo o Universo.
2-O primeiro uso comercial da válvula termiônica foi feito por John Ambrose Fleming, em detecção de ondas de rádio (1904).
3-A Teoria das Cordas sustenta que as partículas sub-atômicas ao invés de serem puntiformes se assemelham a pequenos filamentos unidimensionais vibrantes e pretende explicar as forças fundamentais (força forte, força fraca, eletro-magnética e gravidade) numa só teoria.


Mecânica Quântica
Newton acreditava que a luz se comportava como partícula, Maxwell ao contrário defendeu o comportamento ondulatório. Ambos se basearam em fortes evidências para defender suas teorias. Grosso modo ambos estavam certos e errados ao mesmo tempo. Na primeira metade do século XX, Max Planck e posteriormente muitos outros físicos desenvolveram a Mecânica Quântica para mostrar o comportamento da matéria em escala atômica. O que acontece neste submundo atômico não é intuitivo para quem como nós estamos acostumados com o cotidiano do mundo físico clássico. O comportamento da Luz não pode ser explicado como de uma partícula nem tampouco como ondulatório. Hoje é chamada de dualidade onda-partícula. Introduziu-se a noção do fóton (partícula sem massa) como mediadora da radiação eletromagnética. Tudo nesta escala é probabilístico, ou pelo menos pode se dizer que as ferramentas matemáticas da Mecânica Quântica se ajustam muito bem nesta escala. Mas não é só a luz que se comporta desta forma estranha. Os elétrons e as outras partículas, como prótons, nêutrons, etc, seguem os mesmos comportamentos ditados pela Mecânica Quântica. O que é mais importante nisto tudo é a grande aplicabilidade desta teoria, hoje responsável por quase todos os avanços de alta tecnologia.

Mudando o Cotidiano - Cinema


O início do cinema foi disputado com mecanismos de gravação e reprodução de filmes desenvolvidos por Thomas Edison nos EUA e os irmãos Lumière na França. Em 1891, Thomas Edison inventou um projetor chamado Cinetoscópio, que era uma caixa com uma entrada visual onde internamente eram reproduzidas imagens em movimento, filmadas previamente por outro equipamento chamado de Cinetógrafo. Em 1895 Auguste e Louis Lumière patentearam uma máquina mais aperfeiçoada chamada Cinematógrafo (que teria sido inventada em 1892 por Lèon Bouly), que era capaz de filmar, revelar e projetar filmes em anteparos externos. Em 1896, Thomas Edison criou outros projetores, chamados Teatrógrafo e Vitascópio.

A introdução desta novidade no Brasil foi através de companhias de entretenimento que se deslocavam pelos grandes centros urbanos munidas de equipamentos de projeção de imagens animadas de vários tipos, ainda no final do século XIX. Há notícias de companhias deste tipo que realizaram apresentações no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e várias outras cidades a partir de 1896. Em Curitiba o local das exibições eram geralmente nos teatros Hauer (esquina da Mateus Leme com 13 de Maio) e no antigo Guaíra (situado na rua Dr. Murici, onde hoje se localiza a Biblioteca Pública), a partir de 1897 (25 de Agosto e 9 de Outubro).

Posteriormente, na primeira metade da década de 1900, começaram a surgirem locais onde eram exibidos filmes regularmente. Notadamente, o parque de entretenimento Coliseu Curitibano, de Francisco Serrador, instalado no centro da cidade em 1905 foi o pioneiro neste gênero.

Coliseu Curitibano e o cinema de Francisco Serrador
O cinema nasceu ao final do século XIX com o cinematógrafo (projetor de imagens) dos irmãos Lumiere ou com o cinetoscópio de Thomas Edison? É mais uma dúvida de paternidade de invenção que talvez seja eterna, mas o que importa nesta história é a dimensão que o cinema tomou daí em diante. Na Curitiba de 1905 se instalou no centro da cidade (entre a Avenida Luiz Xavier e a Rua Emiliano Perneta, junto a Rua Voluntários da Pátria) um parque de diversões chamado “Coliseu Curitibano”, com utilização de energia elétrica. Lá havia rinque de patinação, carrossel mecânico, tiro ao alvo, bares, enfim atividades de lazer. Um imigrante espanhol de nome Francisco Serrador Carbonell (1872/1941) que havia se estabelecido em Curitiba e vivia de comercio varejista era dono do Coliseu e resolveu lá instalar também um cinematógrafo onde passou a exibir filmes. Com o sucesso, Serrador viajou com seu cinema ambulante por várias cidades e o negócio se tornou grande em São Paulo, onde Serrador inaugurou a primeira sala fixa de cinema da cidade, o Bijou-Theatre em 1907. Daí em diante sua empresa não parou mais de crescer e Serrador se tornou o empresário de maior sucesso neste ramo com salas nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, e Minas Gerais. Consta que a “Cinelândia” do Rio de Janeiro foi inspirada em viajem de Serrador para Nova York, onde conheceu a “Time Square” e que teria trazido para o Brasil o “Cachorro Quente” que era vendido em seus cinemas.

Em 1907 o livreiro Annibal Rocha Requião começou a produzir filmes (geralmente documentários locais), se tornou um pioneiro nesta atividade e em 1908 inaugurou o Cine Smart (no início da Rua XV), sala de cinema comercial, com sessões diárias.

A partir de então a atividade não parou de crescer, junto com o desenvolvimento da cidade que foi significativo, pois na década de 1900 a população de Curitiba era de apenas 40 mil pessoas. Dezenas de cinemas foram gradativamente sendo abertos no centro e também nos bairros, tendo este modelo se tornado decadente a partir da década de 1970. A partir da década de 1980 as salas passaram a ocupar espaço nos ambientes fechados dos shoppings.

Mudando o Cotidiano - Radiodifusão


O desenvolvimento de novas tecnologias sempre causa pânico nos investidores que vêem seus negócios subitamente ameaçados por avanços mais eficientes. Foi assim quando o telefone ameaçou os negócios estabelecidos de telegrafia e posteriormente o medo ressurgiu com as experiências de transmissão por ondas eletromagnéticas (sem fio). Porem, apesar de todas as resistências e pressões contrárias as novas tecnologias acabam se impondo. A tecnologia de transmissão e recepção de sinais por ondas de rádio, na época chamada de telegrafia sem fio, não fugiu também da disputa de crédito pela invenção.  As teorias fundamentais de ondas eletromagnéticas, entretanto, foram sintetizadas por Maxwell e comprovadas na prática por Hertz.

Guglielmo Marconi (físico italiano), Nikola Tesla (engenheiro e físico naturalizado americano) e o padre e inventor brasileiro Roberto Landell de Moura (1) são citados como supostos inventores do rádio e a controvérsia talvez seja eterna. Tesla foi reconhecido pela Suprema Corte Americana em 1943 como tendo patenteado a invenção antes de Marconi, porem quem mais se dedicou e consolidou esta tecnologia foi Marconi, daí seu nome permanecer com os créditos desta invenção.

Foi em 1895 que Marconi teve êxito numa transmissão de rádio na Itália, ainda pouco desenvolvida, no entanto ele registrou uma patente. Em 1896, agora na Inglaterra realizou uma transmissão de alguns quilômetros de distância e em 1901 a primeira transmissão transoceânica, entre a Inglaterra e o Canadá. Logo equipamentos de rádio se disseminaram e trouxe grandes benefícios, notadamente nas comunicações marítimas (navios), tendo propiciado o salvamento de muitas vidas em situações de naufrágios. A radiodifusão comercial, entretanto, só teve início a partir de 1920.
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1-Landell realizou experiências de transmissão e recepção de voz no Brasil e patenteou o transmissor de ondas, o telégrafo sem fio e o telefone sem fio nos EUA.  

A centelha, o coesor e a pipa

Segundo informações da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), em 2011 ocorreram 315 acidentes fatais em redes, sendo quatro destes envolvendo pipas. Apesar do evidente perigo que representa e das campanhas de esclarecimentos, é muito evidente que continuarão ocorrendo mortes por imprudência deste tipo, pois basta olhar para as redes para constatar a quantidade de pedaços de pipas enroscadas nos fios e postes.

Aliás, a imprudência no uso de pipas não é de hoje, e mesmo antes da existência de redes de distribuição. Todos conhecem a história de Benjamim Franklin. Conta-se que em 1752, para comprovar a característica elétrica das descargas atmosféricas, Franklin teria improvisado uma pipa para funcionar como um pára-raio. Amarrou uma ponta metálica na mesma e esta ao fio condutor que terminava em uma chave de ferro próxima ao solo e entre ele e a chave uma tira de pano (isolante). Durante uma tempestade, ajudado por seu filho, teria empinado a pipa junto às nuvens carregadas. Quando aproximou a chave de uma garrafa de Leyden (1) verificou faíscas. Por sorte, não morreu.

Menos conhecida, porém não menos importante e também envolvendo risco considerável foi a experiência com pipa protagonizada por Guglielmo Marconi. Esta história começou em 1887 com a divulgação do brilhante trabalho de Heinrich Hertz, que para comprovar a existência da propagação das ondas eletromagnéticas propostas por James Clerk Maxwell e a exatidão de suas equações construiu um dispositivo que se tornou o primeiro a transmitir e detectar sinal sem fio.

O aparelho transmissor construído por Hertz era alimentado por uma bateria ligada a uma bobina para produzir uma tensão elevada e esta a um dispositivo que produzia uma centelha (2) quando um interruptor era fechado.

O receptor, a pequena distância, nada mais era que um aro de metal aberto, com uma pequena distância nesta abertura, suficiente para gerar uma pequena centelha ao ser atingido pela onda eletromagnética gerada pela centelha do aparelho transmissor. Estava descoberta a telegrafia sem fio.

Posteriormente, Èdouard Branley descobriu uma propriedade de fundamental importância no desenvolvimento da transmissão de sinais a longa distância. Limalhas de metal colocadas dentro de tubos de vidro ligado a eletrodos nos terminais quando submetidas à presença de ondas eletromagnéticas geradas por centelhas se aglutinavam entre si, como se fossem soldadas, e se tornavam condutoras. Este dispositivo, batizado de coesor, apresentava, entretanto, um grande inconveniente, pois os grânulos da limalha só se soltavam novamente mediante um procedimento mecânico, uma leve batida no tubo. Este problema só foi definitivamente resolvido mais tarde, com o uso dos primeiros dispositivos eletrônicos (válvulas termiônicas). O coesor foi então por muito tempo utilizado para a detecção de sinais gerados por mecanismos que utilizavam o mesmo princípio do dispositivo arquitetado por Hertz. A diferença estava apenas na introdução de uma antena ligada num dos pólos do centelhador e um aterramento no outro pólo, que somado a bateria de maior potência constituíam transmissores de onda de maior alcance.

Os sinais eram gerados e transmitidos utilizando-se o código Morse, ou seja, uma seqüência pré-determinada de pontos e traços para identificar letras e números, e poderiam ser detectados por qualquer operador de qualquer estação receptora.

Vários pesquisadores participaram de uma corrida para o desenvolvimento da telegrafia sem fio, posteriormente batizado de rádio e depois popularizado pela radiodifusão, mas nenhum deles foi mais persistente e audacioso que Marconi. Contaram ao seu favor a ajuda familiar na constituição de sua empresa, mas mesmo assim assumiu grandes riscos visando seu objetivo de transmitir sinais a locais cada vez mais distantes. A maior aventura foi seu plano na busca da primazia da transmissão de sinal para lados opostos do Atlântico, da Europa para a América.                      

Para tanto, não mediu esforços nem recursos financeiros. Construiu duas gigantescas estações de transmissão e recepção, sendo uma na Inglaterra (Poldhu-Cornualha) e outra nos EUA (Wellfleet-Massachusetts). Para seu azar, antes que fossem colocadas em funcionamento, ambas foram destruídas por tempestades naturais.

A primeira atingida foi a de Poldhu, porem Marconi não desanimou e logo tornou a reconstruí-la, contudo, de forma mais simplificada. Entretanto, logo em seguida a estação de Wellfleet também foi ao chão e aí Marconi resolveu apostar numa alternativa menos convencional e mais econômica para realizar a experiência.

Observou que em território Canadense havia um lugar situado na ilha de Terra Nova (St. John’s) que era mais próximo da Inglaterra que a estação de Wellfleet. Ou seja, era um ponto muito mais favorável para receber um sinal partindo do outro lado do Atlântico. Resolveu então primeiramente apostar neste local, para depois se voltar novamente para a estação de Wellfleet.

Foi assim que em 1901 Marconi viajou para Terra Nova, levando em sua bagagem um balão e uma pipa, pois ambos eram opções para suportar uma antena em altitude suficiente para testar a recepção dos sinais que seriam gerados em Poldhu. A primeira tentativa foi com o balão, porém as condições climáticas do local eram muito severas, principalmente com fortes ventos e, portanto, demasiadamente adversas ao uso do balão.

Voltou-se então para o uso da pipa. Não foi nada fácil, as variações foram inúmeras e os riscos assumidos imensos, mas após exaustivas tentativas finalmente o primeiro sinal detectado depois de cruzar o oceano foi ouvido pelo próprio Marconi (3). Não menos difícil foi depois convencer a comunidade científica da realização do notável feito (4).

Era o início das comunicações instantâneas, hoje tão banalizas que é até difícil imaginar como algo tão singelo como a propagação da onda eletromagnética gerada por uma simples centelha e captada por uma antena suportada por uma pipa tenha tido uma importância tão grande na história.    
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1-Garrafa de Leyden era o dispositivo conhecido na época para armazenamento de eletricidade estática. É o precursor do capacitor.
2-Semelhante ao sistema automotivo (bobina + platinado + velas) utilizado para produção de faísca.
3-Os sinais gerados em Poldhu eram transmitidos em intervalos curtos e repetidos. Constituíam apenas do código Morse para a letra S (três pontos).
4-A história das experiências de Marconi é contada no fascinante livro “Fulminado por um raio”, de Erik Larson (Ed. Recod, 2007)

A irritação de Marconi
A transmissão de sinais sem fio a longa distância era considerada impraticável pelos cientistas. A curvatura da terra era razão suficiente para provar que os sinais não teriam a capacidade de atingir locais mais distantes. Marconi, entretanto, era um autodidata que nunca se deixou levar por este raciocínio, porem também não soube explicar porquê conseguiu ir tão longe.
Aliás, o que mais o irritava era a intermitência com que os sinais eram recebidos e a constatação experimental que havia mais sucesso na recepção a noite que de dia.
Só mais tarde ficou provado que a camada de Ionosfera funciona ora como refletora (à noite) e ora como refratora (de dia) das ondas, em função da influência da radiação solar nesta parte ionizada da atmosfera.                                  

O prestígio de Marconi
A notoriedade e influência de Marconi na Itália era tão grande, que ele conseguiu a anulação de seu primeiro casamento junto a igreja católica, decorridos 18 anos de matrimônio e quatro filhos. 

Brasil 


Roberto Landell de Moura (1861/1928) foi padre e inventor, natural de Porto Alegre (RS) que desenvolveu importantes pesquisas no campo das telecomunicações no final do século XIX e início do XX. A partir de 1893 (2) realizou experiências de transmissão e recepção de voz por ondas de rádio a distâncias de vários quilômetros, tendo obtido êxito. Já naquela época previu que se poderia também estabelecer transmissões através de feixes luminosos. Registrou a patente do rádio no Brasil (1901) e posteriormente nos Estados Unidos, para onde se deslocou em 1901 e lá permaneceu até 1904, onde obteve três patentes: transmissor de ondas, telégrafo sem fio e telefone sem fio. No entanto na época o seu trabalho não recebeu o devido crédito das autoridades brasileiras para seus projetos de desenvolvimento e sem apoio financeiro suas idéias não tiveram continuidade e acabaram sendo esquecidas.
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2-Marconi teve êxito em transmissão de sinais na Itália em 1895, portanto as experiências do Pe Landell precedem esta data e eram mais sofisticadas, pois se tratavam de transmissão de sons.

Marconi e o Brasil
Em 1931 foi inaugurada a estátua do Cristo Redentor (Corcovado) no Rio de Janeiro, com a presença de Getúlio Vargas, e estava combinado por iniciativa de Assis Chateubriand que o acionamento da iluminação seria feito remotamente direto da Europa por Guglielmo Marconi através de um sinal de rádio acionado de seu iate “Elettra”. Consta, entretanto, que a transmissão do sinal não funcionou devido ao mau tempo e a iluminação foi ligada por acionamento local. Posteriormente, em 1935 Marconi visitou o Brasil onde recebeu homenagens e inaugurou a Rádio Tupi.


Ossos do ofício
Pe Landell pagou o preço de estar à frente de seu tempo, por intolerância por um lado e ignorância por outro. Primeiro, seu laboratório e equipamentos foram alvo de vandalismo praticado por pessoas que entendiam que suas experiências eram sobrenaturais. Posteriormente, solicitou ajuda da marinha para testar equipamentos de transmissão e recepção em alto mar. Questionado a que distância os navios deveriam estar dispostos respondeu que o mais longe possível e quanto mais longe melhor, pois seus equipamentos seriam capazes de transmitir mensagens a qualquer distância. Esta afirmação funcionou ao contrário do que seria sua intenção, pois seu interlocutor avaliou que estava diante de um louco e o seu pedido foi negado. 

Paraná


Em 1924 foi inaugurada a Rádio Clube Paranaense em Curitiba, terceira rádio a operar no Brasil, considerando apenas as rádios que se mantiveram no ar até hoje (a primeira foi a Rádio Clube de Pernambuco em 1919 e a segunda a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro em 1923). Foi constituída por iniciativa de figuras Curitibanas ilustres, tendo como destaque Francisco Fido Fontana (diretor Presidente) e Livio Gomes Moreira (Diretor Técnico), chefe do Departamento de Correios e Telégrafos de Curitiba que era radioamador (desde 1909 operava uma estação radioamadora), inventor e pesquisador das novas tecnologias de comunicação.

Dirigível Hindenburg
Quando o zepelim alemão Hindenburg passou pela cidade de Curitiba em 1936, o governador Manoel Ribas usou os equipamentos da Rádio Clube Paranaense para enviar mensagem à tripulação. Em 1937 este dirigível se incendiou ao pousar em Nova Jersey (EUA), o que precipitou o fim deste meio de transporte.

A primeira transmissão partiu da casa de Moreira e foi sintonizada na casa de Fontana que residia na “Mansão das Rosas”, situada no início da Avenida João Gualberto. De início a manutenção da Rádio Clube foi assumida pelos seus fundadores, ou seja, não havia retorno comercial. Somente a partir de 1946 surgiram outras rádios em Curitiba, como a Radio Marumbi e Radio Guairaca.

Locução esportiva
A primeira transmissão de uma partida de futebol no Paraná foi realizada em 1934 pela Rádio Clube Paranaense a partir do estádio Joaquim Américo do jogo Atlético e Coritiba (resultado de 1 x 1). Segundo consta estendeu-se um fio ligando a “cabine” (plataforma de madeira) de transmissão até a sede da rádio que na época era no Belvédère do Alto São Francisco. O prefixo PRB-2 foi recebido em 1935.

Mudando o Cotidiano - Televisão


Todo legado de pesquisas e equipamentos desenvolvidos permitiu que no início de século XX aparecessem tecnologias para transmissão de imagens. O engenheiro escocês John Logie Baird foi o pioneiro em transmissões de televisão entre 1924 e 1925, porem com tecnologia ainda pouco desenvolvida. O engenheiro russo Vladimir Zworykin patenteou o iconoscópio em 1924, que marcou o desenvolvimento da televisão como a conhecemos. Entretanto, o americano Philo Farnsworth, foi quem obteve a primeira patente de um sistema eletrônico de dissecação de imagem em linhas e é considerado por muitos como o verdadeiro inventor da TV comercial. A televisão em cores surgiu em 1954.

Brasil


Em 1948 foi feita uma transmissão de imagens de televisão em Juiz de Fora (MG). O autor desta façanha foi Olavo Bastos Freire, que teria construído uma câmera por sua conta, e em 05/1950 transmitido pela primeira vez um jogo de futebol brasileiro também em Juiz de Fora, entre Tupi (MG) 3 x 2 Bangu (RJ). Fatos notáveis, mas poucos testemunharam estes acontecimentos e serviram apenas de pioneirismo de demonstração da tecnologia.

A televisão comercial teve início em 1950 com a TV Tupi de São Paulo, por iniciativa do jornalista e empresário Assis Chateaubriand e a TV Tupi do Rio de Janeiro foi inaugurada em 1951.

Paraná


O ano de 1953, centenário de emancipação do Paraná, foi marcado por uma série de comemorações alusivas a data e inaugurações importantes, como os prédios públicos do Centro Cívico e a praça 19 de Dezembro, em Curitiba. Nesta ocasião operavam no Brasil emissoras de televisão apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, comandadas pela empresa Diários Associados, de Assis Chateaubriand.

Tomados pelo entusiasmo desta novidade, um grupo de empresários paranaenses criou em 1953 a empresa Rádio e Televisão Paraná S.A. com o objetivo de inserir Curitiba neste circuito de modernidade. No ano seguinte, para chamar a atenção do público e principalmente de investidores, providenciaram demonstrações ao vivo da tecnologia em Curitiba, Ponta Grossa e Palmeira, utilizando para tal, equipamentos cedidos pela empresa de Chateaubriand.

Em Curitiba a primeira experiência se realizou em julho de 1954 no Edifício Garcez (esquina da Avenida Luiz Xavier com a Rua Voluntários da Pátria), com transmissão vindo do próprio local para dois aparelhos receptores colocados nas dependências das Lojas Tarobá no térreo do edifício.

Porem, esta iniciativa pioneira não decolou. Nagibe Chede, que participou da empreitada anterior resolveu então assumir um projeto próprio, e com muitas dificuldades o levou adiante. Conseguiu a concessão do governo federal para operar um canal de televisão em Curitiba. Contratou os serviços de Olavo Bastos Freire, pioneiro na geração e transmissão de sinal de TV e partida de futebol em Juiz de Fora (MG), que providenciou a instalação e operação de um transmissor que ele havia desenvolvido, mas que só transmitia imagens. Utilizou-se então como artifício o uso da Rádio Curitibana em cadeia para a transmissão do som. Em 1958 iniciou a fase experimental, disponibilizando então aos curitibanos sinal de televisão, de início no canal 7.

Só em 28 de Outubro de 1960, a TV Paranaense canal 12 de Nagibe Chede foi oficialmente inaugurada e ainda no mesmo ano a TV Paraná canal 6 (em 19 de Dezembro) dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, que paralelamente havia também optado por um projeto independente.

Três anos mais tarde, seria inaugurado o primeiro canal em cidade interiorana no Paraná, a TV Coroados de Londrina.

Inauguração de Canais no Paraná:

TV
Cidade
Canal
Data
Propriedade
Paranaense
Curitiba
12
28/10/1960
Nagibe Chede (*)
Paraná
Curitiba
6
19/12/1960
Diários Associados (**)
Coroados
Londrina
3
21/09/1963
Diários Associados (*)
Iguaçu
Curitiba
4
28/12/1967
Grupo Paulo Pimentel (***)
Tibagí
Apucarana
11
27/07/1969
Grupo Paulo Pimentel (***)
Curitiba
Curitiba
2
22/08/1982
Bandeirantes
Depois: (*) RPC TV,                       (**)  Rede CNT,                        (***) Rede Massa




Cotidiano: Futebol e eletricidade

2010 foi o ano em que a tecnologia de 3D se incorporou ao cotidiano, no cinema e na televisão. Apesar de não ser considerada novidade, tudo indica que este é o momento de sua popularização em função de avanços tecnológicos que permitiram viabilidade econômica de produção. Aparelhos de TV passaram a ser comercializados com esta tecnologia e houve transmissão em 3D da Copa do Mundo de Futebol da África do Sul para salas de cinemas no Brasil.

O futebol pelo seu apelo popular quase sempre é utilizado como agente catalisador do processo de divulgação de novidades e como cenário para alavancar a comercialização do produto em larga escala e os jogos são palco para promoção de avanços tecnológicos de mídia. Por exemplo: ainda no início de 2010 foi transmitido o primeiro jogo de futebol em 3D, numa partida do campeonato inglês entre Arsenal e Manchester, de forma experimental, assistida em alguns pub’s de Londres.

Entretanto, tecnologias de ponta como esta parece não mais impressionar tanto as pessoas, tal a velocidade que elas se sucedem e acabaram por serem considerados quase triviais, pois não despertam mais sentimentos de grande curiosidade ou euforia na mesma intensidade como antes.

Impactos maiores foram causados no inicio das transformações cotidianas provocadas pelo avanço da disseminação da eletricidade e hoje são lembradas como parte da História. Inicialmente com a instalação de iluminação artificial nos estádios, para possibilitar a realização de jogos noturnos e depois com a introdução das tecnologias de telecomunicação, radiodifusão seguida da televisão para a transmissão ao vivo dos eventos a longa distância.

Conta-se que jogos noturnos iluminados por eletricidade foram realizados na Inglaterra, berço do futebol moderno, a partir do final do século XIX. No Brasil há registros de realização de jogos noturnos em 1914 no Rio de Janeiro (em Vila Isabel), em 1915 em Pelotas (RS), em 1921 em Guaxupé (MG) e em 1923 em São Paulo (Cambuci) em jogo de time de eletricitários da Light, porem o primeiro estádio brasileiro a receber refletores permanentes foi o São Januário no Rio de Janeiro em 1928 (Vasco 1 x 0 Wanderers do Uruguai, gol olímpico).

Nenhum outro evento esportivo é tão popular quanto a Copa do Mundo da FIFA, e seu sucesso foi alavancado pelos meios de telecomunicações.  Em 1930, ano da primeira Copa do Mundo (Uruguai) o rádio já era uma tecnologia utilizada no Brasil desde 1923, mas só se tornou comercial a partir de 1931 com a regulamentação da radiocomunicação (1), e neste mesmo ano se realizou a primeira transmissão de um jogo de futebol no país, Seleção de São Paulo 6 x 4 Seleção do Paraná, jogo narrado pelo radialista Nicolau Tuma. Também em 1934 (Itália) ainda não houve transmissão brasileira. A alternativa nesta época era tentar sintonizar uma rádio estrangeira em ondas curtas.

A primeira transmissão radiofônica nacional ao vivo de uma Copa só ocorreu em 1938, direto da França, porem a qualidade da transmissão ainda era precária. Narradas pelo locutor Leonardo Gagliano Neto, as partidas eram acompanhadas por muitos torcedores em locais onde se improvisavam amplificadores e alto falantes, pois poucos possuíam um receptor de rádio em seus domicílios.  Desde então o país pára nestas ocasiões.

Em 1948 foi feita uma transmissão de imagens de televisão em Juiz de Fora (MG). O autor desta façanha foi Olavo Bastos Freire, que teria construído uma câmera por sua conta, e em 05/1950 transmitido pela primeira vez um jogo de futebol brasileiro também em Juiz de Fora, entre Tupi (MG) 3 x 2 Bangu (RJ). Fatos notáveis, mas poucos testemunharam estes acontecimentos e serviram apenas de pioneirismo de demonstração da tecnologia. Em 09/1950 foi inaugurada a TV Tupi de São Paulo, o primeiro canal comercial de televisão brasileiro, e a primeira partida transmitida por esta emissora foi logo depois, Palmeiras 2 x 0 São Paulo em 10/1950.

A transmissão de uma Copa pela televisão começou em 1954, da Suíça para alguns países europeus (2). Em 1958 (Suécia) as televisões brasileiras mostraram apenas filmes editados e de curta duração, em 1962 (Chile) video-tapes foram exibidos um ou dois dias depois das partidas tanto no Brasil como na Europa e em 1966 (Inglaterra) a Europa já contou com transmissão ao vivo via satélite (3), porem o Brasil ainda repetiu a receita da copa anterior.

Aqui, acompanhamos pela primeira vez uma Copa ao vivo pela TV em 1970, via satélite, direto do México. Apesar de já ser gerada em cores, ainda assistimos em preto e branco, pois a tecnologia ainda era experimental nesta ocasião e poucos desfrutaram este avanço então. O primeiro jogo de futebol televisionado em cores no Brasil, foi em Porto Alegre, entre Caxias do Sul (RS) e Grêmio (RS), em 1972.

O impacto de cada um destes eventos foi muito marcante e as pessoas que viveram estes acontecimentos os mantiveram vivos em sua memória. Desde então muitas inovações eletrônicas foram desenvolvidas e comercializadas, principalmente em tecnologias de imagem, como o vídeo-cassete, antena parabólica, TV a cabo, DVD, etc, e mais recentemente a introdução da TV digital permitiu lançamentos de produtos de alta definição e iteratividade e os aparelhos se multiplicaram: TVs de Plasma, LCD e LED, Blu-ray, Home-theater, etc, alem de que outros meios vem sendo utilizados cada vez mais, como Internet e celular.

Com tantas opções e rápida obsolescência estas novidades cotidianas geraram um enorme vício de consumo, porem já não causam os mesmos impactos do passado.
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1-O Decreto 20.047/1931 regulamentou a execução dos serviços de radiocomunicações no território nacional. A partir da regulamentação as rádios foram liberadas para veicularem anúncios e propagandas e assim puderam se transformar em atividade comercial.
2-Oito países (França, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Inglaterra, Suíça e Alemanha) que fundaram a Eurovisión.
3-As transmissões de imagens via satélite tiveram início em 1962 nos EUA.



No Paraná...

-A Radio Clube Paranaense já estava no ar desde 1924, graças a genialidade de Livio Gomes Moreira e a primeira transmissão de uma partida de futebol no Paraná foi realizada em 02/09/1934 no estádio Joaquim Américo do jogo Atlético 1 x Coritiba 1 com narração de Jacinto Cunha e Jofre Cabral e Silva.

-Somente em 1942 foi inaugurada iluminação artificial para jogos noturnos no estado, em Curitiba no estádio Belfort Duarte com o jogo Coritiba 4 x Avaí 2. Posteriormente, em 1947 com a construção do Estádio Durival de Britto e Silva mais um estádio passou a contar com iluminação. O jogo inaugural acabou com o placar Ferroviário 1 x Fluminense 5. Em 1950 o Durival de Britto foi palco de dois jogos pela Copa do Mundo: Espanha 3 x Estados Unidos 1 e Suécia 2 x  Paraguai 2. A realização dos jogos da Copa 2014 em Curitiba no estádio Joaquim Américo, ocorreu no ano do centenário deste estádio, inaugurado em 1914 em jogo entre o Internacional FC (PR) 1 x 7 Flamengo (RJ).

-A televisão só chegou ao Paraná em 1960, com a TV Paranaense canal 12 (em 28 de Outubro) de Nagibe Chede e ainda no mesmo ano a TV Paraná canal 6 (em 19 de Dezembro) dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, ambas em Curitiba. O curioso é que a implantação, fase experimental e anos iniciais da TV Paranaense (canal 12) contaram com os serviços de Olavo Bastos Freire, pioneiro na geração e transmissão de sinal de TV e partida de futebol em Juiz de Fora (MG). A primeira partida televisionada no estado ocorreu em 08/01/1961, entre Ferroviário (3) e (0) Operário de Ponta Grossa (clássico da Rede), realizada no estádio Belfort Duarte, narrada por Rafael Iatauro e transmitida pela TV Paraná canal 6 (comentarista: Vinícius Coelho, repórteres de campo: Willian Sade e Augusto Reis) .

Mudando o Cotidiano - Ensino e Pesquisa


Decorridos 20 anos da idéia original (1), foi em 19/12/1912 (data dos 59 anos da emancipação estadual) a fundação da Universidade do Paraná, por iniciativa de notáveis figuras residentes em Curitiba, liderados por Nilo Cairo da Silva (Médico e Engenheiro Militar) e Victor Ferreira do Amaral (Médico). Seu primeiro ano letivo foi em 1913, com vários cursos, incluindo Engenharia. Funcionou como entidade privada até ser federalizada a partir do ano letivo de 1951 (2) e passar a ser denominada de Universidade Federal do Paraná (UFPR), com gratuidade de ensino. É considerada a mais antiga instituição brasileira concebida como universidade ainda em atividade, tendo funcionado ininterruptamente durante todo o seu tempo de vida de forma unificada, apesar de ter que se adequar às exigências legislativas em vigor em épocas que a lei restringia a constituição de universidades no país.


Edifício Central (2012): Outrora apelidado “Palácio da Luz”, está situado em Curitiba, na Praça Santos Andrade. Funciona desde 1914, porem passou por ampliações e remodelações desde então. O nome original foi mantido em sua fachada.


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1-Conta-se que o historiador José Francisco da Rocha Pombo (1857/1933) teria sido o pioneiro da idéia de constituição de uma instituição de ensino superior no estado, em 1892.
2-Lei 1.254 de 04/12/1950: Art. 3º - A categoria de estabelecimentos diretamente mantidos pela União compreende: I - Todos os estabelecimentos integrados presentemente na Universidade do Brasil e nas Universidades de Minas Gerais, do Recife, da Bahia, do Paraná e do Rio Grande do Sul...

Primeira matrícula
O primeiro aluno a matricular-se na recém criada Universidade do Paraná foi Oscar Joseph de Plácido e Silva (1892/1963). Fez o curso de Direito e posteriormente (1919) foi co-fundador, ao lado de Benjamin Lins, do jornal “Gazeta do Povo”.

Em 1959 foi criado o CEHPAR, posteriormente batizado Centro de Hidráulica e Hidrologia “Professor Parigot de Souza”. Hoje referência mundial em sua área de atuação, foi responsável pelos estudos e pesquisas de aproveitamentos hidrelétricos e projetos das grandes usinas paranaenses, incluindo ensaios em modelos reduzidos.

Só em 1964 (3)  que por carência de profissionais da área de engenharia elétrica a UFPR em colaboração com o governo paranaense e sua empresa estatal Companhia Paranaense de Energia (Copel) criou o curso de Engenharia Elétrica, ênfase Eletrotécnica, voltado para as necessidades da companhia (sistemas elétricos de potência), que iniciava uma arrancada no desenvolvimento da infra-estrutura de produção, transmissão e distribuição de energia elétrica no estado.

Similarmente, em 1976 foi criada a ênfase de Telecomunicações, para atender a demanda da Companhia de Telecomunicações do Paraná (Telepar), estatal estadual que havia sido incorporada pela Telebrás em 1975. Mais tarde, em 1982, com a industrialização da cidade de Curitiba a partir da implantação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) mais uma ênfase foi oferecida: Eletrônica.

Em 1979 foi concebido o Laboratório Central de Pesquisa e Desenvolvimento (LAC), convênio entre a UFPR e a Copel para dotar o estado de um laboratório capaz de realizar estudos, pesquisas, ensaios, medições, etc, voltado às diversas áreas da eletricidade (inclusive alta tensão) e eletrônica e foi inaugurado em 1982. Em 1997 foi criado o LACTEC - Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento, em 1999 o LACTEC assumiu o LAC e em 2000 o CEHPAR. Hoje há cerca de uma dezena de cursos de ensino superior na área da eletricidade no Paraná, sendo que na capital se concentram aproximadamente a metade deles, e os demais se espalham pelas diversas regiões do estado (universidades e faculdades federais, estaduais e privadas).
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3-O curso foi autorizado em fins de 1964 (conforme relatório da comissão designada de 25/11/64) e foi fixado 20 vagas para 1965 (terceira ano) aos alunos do ciclo básico (dois anos concluídos) de Engenharia (Mecânica e Civil). Em 1965 houve a instituição do curso (resolução 6 de 17/02/1965) com a definição das disciplinas para os 3°, 4° e 5° anos. Em 1966 foi criado o Departamento de Engenharia Elétrica e em 1967 houve a graduação da primeira turma.