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Telecomunicações - Telégrafo

A palavra “tele” é de origem grega e significa “distância”. A comunicação à distância foi a primeira aplicação comercial de importância da eletricidade e muitos pesquisadores se dedicaram ao desenvolvimento dos primeiros dispositivos e sistemas para este fim. Primeiramente através de fios e cabos e depois por ondas eletromagnéticas, as comunicações à distância aos poucos se tornaram parte do dia a dia. As experiências neste campo começaram com o telégrafo. 

Telégrafo 


Os créditos desta invenção são divididos entre muitos cientistas, porem Samuel Finley Breese Morse (inventor norte americano) e Charles Wheatstone (cientista britânico) se destacaram neste ramo na América e Europa respectivamente, entretanto Morse patenteou trabalhos desenvolvidos por outros pesquisadores, principalmente de Joseph Henry que tinha desapego a direito de propriedade. Morse alem de construir sistema protótipo (1837) criou um código de sinais para o alfabeto (1838) como uma seqüência de traços e pontos que se tornou mundialmente utilizado (Código Morse), daí seu nome ser mais conhecido.  Foi em 1844 que Morse concluiu a linha telegráfica comercial ligando Baltimore a Washington, DC. Na Europa, o inventor e industrial alemão Ernst Werner von Siemens aperfeiçoou o telégrafo dotando-o de um apontador para as letras do alfabeto, o que dispensava o Código Morse. Fundou a “Telegraphen-Bauanstalt Siemens & Halske” em 1847, hoje “Siemens AG”, indústria que ainda atua e é referência nos diversos ramos da engenharia elétrica.

O candidato Morse
O pai de Samuel Morse era calvinista, o que levou Morse a desenvolver fervorosos preconceitos e acreditar em teorias de conspiração contra os Estados Unidos partindo de católicos e estrangeiros. Em 1836 Morse foi candidato a prefeito de Nova York com discurso anticatólico e antiimigrantes, tendo porem recebido poucos votos.

Na seqüência, o feito mais desafiador, pela dimensão e custo que envolvia, era viabilizar a telegrafia entre continentes (América e Europa). O empresário norte americano Cyrus West Field financiou o empreendimento de construção de um telégrafo através do lançamento de um cabo submarino entre a América do Norte e a Inglaterra. A primeira tentativa foi em 1858, porem o projeto do cabo não era adequado, o que tornava a transmissão demasiadamente lenta e o cabo foi abandonado algumas semanas após começar a operar.  Field então buscou ajuda junto ao engenheiro irlandês William Thomson (Lord Kelvin), que havia previsto o fracasso do cabo anterior e tinha teorias mais avançadas para o projeto de um novo cabo. O novo projeto contou também com ajuda (consultoria) de James Clerk Maxwell que era amigo de Thomson. Porem mais uma vez o plano foi frustrado, pois este segundo cabo (1865) sofreu acidente durante seu lançamento e também foi abandonado. O sucesso só veio em 1866, com o lançamento e operação satisfatória do terceiro cabo transatlântico (1).
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1-Thomson desenvolveu um equipamento chamado “galvanômetro de espelho” que foi fundamental para as transmissões submarinas de longa distância, pois era capaz de detectar sinais de fraca intensidade.

Brasil


A introdução das novas tecnologias associadas à eletricidade no Brasil começou ainda na época da monarquia e seguiu quase que simultaneamente a divulgação das invenções protagonizadas pelos seus principais personagens, principalmente norte-americanos, em função do Imperador D. Pedro II ser um entusiasta de novidades tecnológicas e dele próprio partiu as determinações para muitas das iniciativas e empreendimentos neste campo, pois alem de estar sempre muito bem informado nesta área, participou de eventos e exposições, conhecendo de perto e de forma pioneira detalhes e perspectivas futuras dos mais modernos dispositivos. Firmou acordos com as empresas de Thomas Edison e Graham Bell permitindo o início da exploração comercial de seus equipamentos e sistemas no país.

Já em 1852 foi construída a primeira linha de telégrafo ligando o Palácio da Quinta da Boa Vista ao Quartel do Exercito de Santana no Rio de Janeiro (4 km subterrâneo), sob a supervisão do engenheiro Guilherme Schüch, o Barão de Capanema (2). Em 1857 foi construído o primeiro cabo submarino telegráfico brasileiro, com um trecho de 15km entre a ligação do Rio de Janeiro a Petrópolis (50km).

O impulso seguinte da expansão telegráfica brasileira foi por ocasião da guerra com o Paraguai (1864/1870). Os planos anteriores priorizavam a expansão no sentido Norte a partir do Rio de Janeiro, entretanto a guerra acabou por impor a necessidade militar de comunicação na direção Sul. Entre 1865 e 1866 foram construídas 17 estações de telégrafo em cidades (3) ao longo da rede aérea (com alguns trechos submarinos) litorânea ligando o Rio de Janeiro até Porto Alegre. A partir destas estações intermediárias a rede se expandiu para o interior e acabou por se tornar um importante meio de integração nacional.

Em 1873 foi concluído o lançamento de um cabo submarino entre Recife (PE) e Belém (PA), que se interligou ao sistema Rio de Janeiro – Salvador – Recife e nesta ocasião esteve no Brasil Sir William Thomson (Lorde Kelvin) para supervisionar o trabalho de colocação (4). No ano seguinte, foi lançado um cabo transoceânico entre Recife e Portugal, passando por Cabo Verde e Ilha da Madeira, interligando o Brasil ao sistema Europeu de telégrafos. Este empreendimento contou com o empenho de Irineu Evangelista de Souza, Barão de Mauá e foi executado pela empresa norte-americana Western and Brazilian Telegraph Company (WBTC) que prestava serviços no Brasil.

A conclusão da ligação telegráfica entre o Brasil e a Europa foi em 22/06/1874. Nesta ocasião D.Pedro II transmitiu mensagens para os reis de Portugal, Inglaterra e Áustria.
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2-Adotou o sobrenome Capanema em homenagem a um povoado próximo a Ouro Preto (MG), sua cidade natal. Fundou e dirigiu a Repartição Geral dos Telégrafos (RGT) até o final do império.
3-Cidades do litoral dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
4-William Thomson veio acompanhado de Henry Charles Fleeming Jenkin, no navio a vapor Hooper que foi construído com a finalidade de lançar cabos submarinos. A viagem entre Recife e Belém foi em agosto de 1873 e segundo Thomson, este novo cabo foi fabricado observando as condições de temperatura das águas da região e julgava que este era o melhor projeto dentre os que havia participado. Em Belém, aguardaram a chegada de um outro vapor, o Great Northern, com o cabo que completaria o trecho final da ligação. O trabalho foi finalizado com sucesso em setembro de 1873.

Paraná


De comarca de São Paulo a província, o Paraná se emancipou politicamente por ato do Imperador D. Pedro II em 1853. Nesta época, seus poucos habitantes se concentravam basicamente nas regiões de Curitiba e Paranaguá e para o local da capital foi escolhida Curitiba (5).

O crescimento populacional contou com a ajuda de imigrantes estrangeiros e a atividade inicial predominante foi a extração de erva-mate e madeira. Quase trinta anos após a emancipação começava a construção da estrada de ferro Paranaguá-Curitiba, cortando a Serra do Mar, considerada até hoje uma obra prima de engenharia, inaugurada em 1885 (6)

O telégrafo chegou ao Paraná ainda no período Imperial (1866) em Paranaguá, por onde passava a linha que ligava a capital (Rio de Janeiro) a várias cidades do Sul do Brasil, e se estendia até Porto Alegre (7). Esta linha foi construída entre 1865 e 1866 como obra estratégica para comunicações militares durante a Guerra do Paraguai (1864/1870).

Em 16/02/1867 passou a operar na cidade de Paranaguá uma estação telegráfica que se interligava a esta linha, propiciando intercâmbio de informações pelos órgãos públicos e privados, bem como para a imprensa. Logo em seguida teve início a expansão do sistema pelas cidades da província. Guaratuba ganhou uma estação em 07/04/1869, Morretes em 02/12/1870, Antonina em 02/04/1871 e Curitiba em 30/10/1871.


Depois, o sistema se estenderia até a Lapa (19/11/1882), Palmeira (25/11/1882), Ponta Grossa (10/03/1883), Guarapuava (14/11/1883) e Palmas (15/11/1885). 

Alem do Telegrafo Nacional funcionavam linhas das empresas concessionárias de estradas de ferro: Cia Generale des Chamins de Fer Braziliens, empresa concessionária da estrada de ferro Paranaguá-Curitiba, inaugurada em 1885 e Cia São Paulo-Rio Grande, que começou a operar em 29/10/1910.
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5-Coube ao baiano Zacarias de Góes e Vasconcelos (1815/1877), primeiro Presidente da nova Província, escolher a Capital. A população de Paranaguá acreditava que sua cidade seria a preferida, porem Zacarias sem conhecer a região elegeu Curitiba. As razões de sua escolha até hoje se discutem, mas é muito provável que já durante sua viagem de subida da Serra do Mar (pelo caminho de Itupava) tenha ficado em dúvida do acerto de sua decisão. Depois então, com o que viu ao chegar e sentiu do clima da cidade com a chegada do inverno, talvez tenha se arrependido, porem já era tarde. Retornou ao Rio de Janeiro ao final de seu mandato de um ano e meio (19/12/1853 a 03/05/1855), tendo posteriormente ocupado vários cargos políticos de relevância, incluindo o de Presidente do Conselho de Ministros do Império (chefe do poder executivo brasileiro).
6-Em 1880 D.Pedro II viajou ao Paraná para inaugurar a pedra fundamental da estrada de ferro em Paranaguá e na ocasião percorreu Antonina, Morretes, Curitiba (onde inaugurou a Santa Casa de Misericórdia) e outras cidades interioranas (Campo Largo, Palmeira, Ponta Grossa, Castro e Lapa). Em Novembro de 1884 a Princesa Isabel e família visitaram Curitiba e foram passageiros do trem, porem desembarcaram em estação próxima a cidade, pois ainda faltava concluir um trecho final.
7-A linha sul passava por várias cidades litorâneas ao longo de 5 províncias:
Província
Cidades
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Itaguaí, Mangaratiba, Angra dos Reis e Parati
São Paulo
Ubatuba, São Sebastião, Santos e Iguape
Paraná
Paranaguá
Santa Catarina
São Francisco do Sul, Itajaí, Desterro (Florianópolis) e Laguna
Rio Grande do Sul
Torres, Conceição do Arroio e Porto Alegre


O Barão, o telégrafo e a chácara

O correio oferece ainda hoje o serviço de envio e entrega de Telegrama. Está lá, na página on-line dos CORREIOS na Internet uma ferramenta para envio de mensagens telegráficas. Mudou a tecnologia, mas o serviço é basicamente o mesmo desde que foi implantado em meados do século XIX. No Brasil começou a funcionar em 11/05/1852. Esta longevidade chega a ser surpreendente frente à quantidade de meios de comunicação dos dias atuais. O telégrafo elétrico pode ser considerado o primeiro sistema de uso disseminado de eletricidade no mundo.

Guilherme Schuch (1824-1908) esteve à frente do Telégrafo Nacional desde a sua implantação (1852), criou e dirigiu a Repartição Geral dos Telégrafos (RGT) até o final do império (1889). Engenheiro militar e atuante em diversas outras atividades (física, mineralogia, botânica, etc) tornou-se Barão de Capanema (1) e mudou o nome para Guilherme Schuch de Capanema. Envolveu-se em trabalhos relevantes como na introdução do sistema métrico no Brasil e na instalação de estações meteorológicas, entre outros e participou de várias instituições, como do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Figura de renome nacional, o Barão de Capanema se fez presente também na antiga Província do Paraná bem como na cidade de Curitiba.

Uma linha telegráfica chegou ao Paraná ainda no período Imperial (1866) passando pelo litoral, vinha do Rio de Janeiro e se estendia até Porto Alegre. Esta linha foi construída entre 1865 e 1866 como obra estratégica para comunicações militares durante a Guerra do Paraguai (1864/1870).

Já no início de 1867 passou a operar na cidade de Paranaguá uma estação telegráfica que se interligava a esta linha, propiciando intercâmbio de informações pelos órgãos públicos e privados, bem como para a imprensa (2).

Logo em seguida teve início a expansão do sistema pelas cidades da província. Guaratuba ganhou uma estação em 1869, Morretes em 1870 e Antonina e Curitiba em 1871. Depois, o sistema se estenderia até a Lapa e Palmeira só em 1882, Ponta Grossa e Guarapuava em 1883 e Palmas em 1885.  Alem do Telegrafo Nacional funcionaram no Paraná linhas telegráficas das empresas concessionárias de estradas de ferro: Compagnie Générale de Chemins de Fer Brésiliens e Cia São Paulo-Rio Grande (3).

Em Curitiba, o Barão de Capanema foi proprietário de uma chácara tida como modelo na época. Conta-se que Capanema plantava variadas espécies, fazia experiências agrícolas e cultivava um jardim botânico no local. Há referências de visitas da família imperial a esta chácara nos diários de viagem ao Paraná em 1880, ocasião da estada de D. Pedro II (visitou o “sítio do Capanema” dia 03 de Junho) e em 1884 da Princesa Isabel (visitou a chácara acompanhada do Conde D’Eu dia 05 de Dezembro). De Paranaguá a princesa acompanhada dos familiares subiram a Serra do Mar em direção a Curitiba como passageiros de trem, antes da inauguração oficial em 1885 e, portanto, desembarcaram no local que a linha terminava na ocasião, que era na região da chácara. Em ambas as ocasiões o Barão acompanhou as famílias.

A partir de 1886 por iniciativa da RGT foram instalados diversos observatórios meteorológicos em cidades brasileiras. Um destes observatórios foi construído nesta chácara de Curitiba que passou a funcionar em 1888 e contava com um aparelho automático meteorógrafo Theorell. Estes equipamentos eram dispositivos de relojoaria de alta qualidade ligados a sensores térmicos, barométricos e higrométricos que registravam gráficos em papel acomodados em cilindros rotativos. Possuíam mecanismos que acionavam penas para impressão contínua de variações de temperatura ambiente, pressão e umidade relativa do ar. Alguns modelos possuíam ainda dispositivo para leitura de velocidade do vento.

O Barão de Capanema também chefiou uma missão brasileira na questão de limites com a Argentina (4). Havia discordância quanto à definição da fronteira entre os dois países na região do sudoeste paranaense (região de Palmas). Os Argentinos alegavam que as linhas de limites entre os territórios eram os rios Jangada e Chapecó, enquanto que o Brasil defendia que a fronteira era delimitada pelos rios Santo Antonio e Pepiri-Guaçu.

Esta questão se estendeu por um longo tempo e só foi resolvido (a favor do Brasil) posteriormente, já no período republicano (1895) com a arbitragem do presidente Stephen Grover Cleveland (1837-1908) dos EUA, tendo o Brasil nesta ocasião sido brilhantemente defendido junto às autoridades norte-americanas por José da Silva Paranhos Jr. (Barão do Rio Branco).

Com o crescimento da cidade, o local e redondezas onde se situava a chácara curitibana do Barão de Capanema foram urbanizados, se tornou um bairro municipal e este bairro acabou sendo batizado de “Capanema”. Outros logradouros da mesma região também foram originalmente batizados com o nome do Barão, como a Avenida Capanema, a Usina Capanema e até o estádio Durival Britto e Silva que se localiza no local, foi apelidado de “Vila Capanema”. Todavia, aos poucos estas reminiscências estão desaparecendo, ora pela modernidade, ora por descaso ao passado. O nome da Avenida Capanema foi mudado para Avenida Afonso Camargo. A Usina que era térmica e funcionava onde hoje é a rodo-ferroviária foi desativada e nada restou. Em 1992 o nome do bairro foi mudado para Jardim Botânico, em função do parque municipal de mesmo nome, inaugurado em 1991, em uma área preservada da região. Restou apenas o informal apelido do estádio Durival Britto, ainda freqüentemente lembrado como “Vila Capanema”.

Aos poucos as lembranças são apagadas, os nomes mudados e os locais perdem vínculos mnemônicos de acontecimentos marcantes e isto não ajuda em nada na conservação da memória da cidade. Deveria-se pensar mais nisto sempre que por motivos intempestivos resolve-se trocar nomes de logradouros públicos consagrados pela história.
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1-Adotou o sobrenome Capanema em homenagem a um povoado próximo a Ouro Preto (MG), sua cidade natal.
2-A partir de 1867 o jornal “Dezenove de Dezembro” (primeiro jornal da Província) passou a publicar notícias recebidas na estação de Paranaguá através de mensagens telegráficas.
3-A Compagnie Générale de Chemins de Fer Brésiliens foi a empresa concessionária da estrada de ferro Paranaguá-Curitiba, inaugurada em 1885, e a Cia São Paulo-Rio Grande passou a funcionar em 1910 após a conclusão do trecho ferroviário ao sul de União da Vitória.
4-Em homenagem ao Barão de Capanema, por atuação na questão dos limites da região de Palmas, o município paranaense de Capanema, localizado na região de conflito, foi assim batizado. Há outro município brasileiro chamado Capanema, no estado do Pará, em homenagem a sua atividade à frente do telégrafo nacional.



Telégrafo Óptico
O telégrafo elétrico foi precedido pelo óptico, que consistia de torres construídas em elevações naturais e com ângulos de visão entre elas, onde operadores utilizavam variados dispositivos para o envio de sinais como, por exemplo, bandeiras, para transmitir mensagens. Na Europa estes sistemas foram bastante difundidos. No Brasil telégrafos ópticos funcionaram em algumas cidades portuárias como no Rio de Janeiro e Salvador e sua principal missão era antecipar a chegada de navios, identificando o país de origem e tipo de embarcação.

Telégrafo Óptico no Paraná
David Carneiro, em seu livro “O Paraná na história militar do Brasil” revela que um “sistema de telegrafia rudimentar” também operou na baía de Paranaguá na primeira metade do século XVIII. Consistia de mastros “para nele se fazerem sinais”, sendo dois localizados na ilha do Mel: morro das Conchas (onde hoje é o farol) e morro da Fortaleza (onde posteriormente foi construída a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres em 1769). Um terceiro, na ilha da Cotinga “os transmitia para a então Vila de Paranaguá”. Em tempos de pirataria, a missão das sentinelas era avisar a presença de navios suspeitos.


Telecomunicações - Telefone


Na história do Telefone também há contenda de candidatos aos créditos da invenção. O cientista e inventor escocês (naturalizado norte americano) Alexander Graham Bell registrou sua patente no mesmo dia que Elisha Gray (inventor americano), porem com minutos de antecedência e posteriormente foi processado pelo inventor italiano Antonio Santi Giuseppe Meucci pela primazia da invenção. Em 2002 o Congresso Americano deu razão a Meucci, aprovando uma resolução a seu favor. Bell, entretanto, consolidou não só o equipamento (Thomas Edison colaborou com Bell nos aperfeiçoamentos necessários) como investiu em sistemas que deram origem a empresas ainda hoje conceituadas, AT&T e Bell Telephone Laboratories (Bell Labs).  A patente foi concedida para Bell em 1876.

Morse (telégrafo), Bell (telefone) e Marconi (rádio) marcaram presença muito mais pela capacidade de empreendedores do que propriamente pelas suas próprias contribuições no campo científico. Telégrafo, telefone e rádio são os resultados de mecanismos e teorias desenvolvidas por muitos outros pesquisadores e inventores e eles tiveram a capacidade de juntar as peças e dar uma finalidade útil e de interesse coletivo para os sistemas imaginados por eles. Cada um fez uma aposta e acertaram no resultado, construindo a partir de uma idéia verdadeiros impérios econômicos.

Brasil


Em 1876 D. Pedro II participou da Exposição do Centenário da Independência dos Estados Unidos na Filadélfia, ocasião que conheceu Graham Bell e testou seu telefone. No ano seguinte, ordenou a construção de linhas telefônicas entre a Quinta da Boa Vista e as residências de seus Ministros. O primeiro aparelho foi fabricado pela WBTC e em 1880 foi criada a Telephone Company of Brazil (associada a Bell Telephone Company), primeira companhia telefônica nacional.

D.Pedro II e Graham Bell
Na exposição industrial na Filadélfia em 1876 o imperador brasileiro D.Pedro II fazia parte do júri de premiação e Graham Bell participava expondo seu telefone. A exposição era grande, com muitos estandes e não havia muito tempo para se conhecer todos os trabalhos ali expostos. Segundo uma das versões, teria D. Pedro chamado à atenção da comissão julgadora do evento para o estande de Bell, tendo então o Imperador experimentado pela primeira vez o invento nesta ocasião, que causou forte impressão nele e nos demais membros da comissão. O telefone de Bell ganhou o premio principal da feira e D. Pedro providenciou uma parceria com Bell para introduzir o dispositivo no Brasil.

Entre 1882 e 1883 foram estabelecidos por decretos, regulamentos para as concessões de linhas telefônicas no país.

Em 1890 foi outorgada concessão para linhas telefônicas interurbanas entre São Paulo e Rio de Janeiro para a empresa alemã Brasilianische Elektricitats Gesellschaft. Posteriormente, a empresa canadense Brazilian Traction Light & Power incorporou a concessionária alemã, e sua subsidiária brasileira passou a se chamar Companhia Telephonica Brasileira (CTB).

Em 1931, Getúlio Vargas assinou o Decreto 20.047 que regulamentou a execução dos serviços de radiocomunicações no território nacional.

As concessões para a exploração de comunicações telefônicas não seguiam disciplinas rígidas e eram distribuídas por estados e municípios. Em 1962 a lei 4117 instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações, atribuindo ao governo federal o controle da situação. Em 1967 foi criado o Ministério das Comunicações e em 1972 foi criada a empresa estatal federal Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás), holding que passou a encampar várias empresas com concessão estadual mais a operadora de longa distância Embratel. Em 1998 o sistema foi privatizado.

Paraná


Foi em Paranaguá que operou o primeiro telefone no estado, de propriedade particular e uso comercial, em 1886. Em Curitiba foram instaladas linhas para operarem em escritórios do governo estadual em 1887.

A primeira concessão de serviço público de telefonia em Curitiba (8) foi dada a Duarte Moreira Catta Preta em 1891 e a empresa foi depois assumida por Olyntho Bernardi. Serviços públicos de telefonia foram posteriormente concedidos nos municípios de Ponta Grossa (1908) e Paranaguá (1911) para esta mesma empresa: Companhia Telefônica do Paraná (CTP).

Em 1925 a Prefeitura Municipal de Curitiba adquiriu a CTP e em 1927 vendeu-a para o grupo alemão AEG (Allgemeine Elektricitäts-Gesellschaft) que criou a empresa Cia Telefônica Paranaense. Em 1936 o grupo americano ITT (International Telephone & Telegraph) adquiriu as ações dos alemães, passando a deter o controle da empresa. Em 1946 o sistema telefônico paranaense foi interligado ao de São Paulo através das redes no norte velho (via Ourinhos) e em 1951 foram fundidas as empresas do Paraná e Rio Grande do Sul, ambas de propriedade da ITT, formando a Cia Telefônica Nacional (CTN).

A modernização da telefonia paranaense só foi alcançada em 1958, com a inauguração do sistema de telefonia automatizado (que dispensava o auxílio das telefonistas para se completar ligações) no prédio da Travessa Jesuíno Marcondes, em Curitiba.

Porem, União da Vitória e Rio Negro já contavam com serviço automático desde 1953, pois eram servidas pela empresa Catarinense (9) e Maringá e Marialva desde 1955, cuja concessão era da Sociedade Telefônica do Paraná Ltda (STP), empresa privada que detinha concessões em vários municípios na região noroeste do estado.

No começo da década de 1960 expirou a concessão da CTN nas cidades de Londrina, Ponta Grossa e Paranaguá, e foram criadas empresas municipais para atuarem nestes municípios: Sercomtel, CPT e Cotelpa respectivamente.

Os serviços oferecidos aos assinantes não eram nada satisfatórios, principalmente nas comunicações interurbanas, mas mesmo os serviços locais eram considerados de má qualidade. Para melhorar esta situação que já se arrastava há muito tempo foi criado em 1963 a Cia de Telecomunicações do Paraná – TELEPAR, empresa estatal estadual de economia mista. Começou atuando nos municípios onde ainda não havia concessionários, principalmente na região oeste do estado, implementando rotas telefônicas interurbanas e desenvolvendo planos de expansão e modernização. Passou também a incorporar as outras concessionárias, como a divisão paranaense da CTN, que operava na região metropolitana de Curitiba, em 1967 e a STP em 1968.

A Telepar foi empresa de referência a nível nacional, tendo sido pioneira no Brasil na implantação de sistemas modernos, como microondas, DDD, fibra ótica, etc.

Em 1975 a Telepar foi incorporada pelo grupo Telebrás, porem continuou se expandindo, tendo adquirido a CPT (Ponta Grossa) em 1989 e a Cotelpa (Paranaguá) em 1990. Em 1998 com a privatização do setor de telefonia, passou a integrar a empresa Brasil Telecom, mais tarde adquirida pela operadora Oi.
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8-Em 1882 já havia sido expedida uma concessão pelo governo imperial para Curitiba, porem esta concessão não foi exercida.
9-A Cia Telefônica Catarinense atendia os municípios de fronteira dos estados do Paraná com Santa Catarina: Porto União (SC)/União da Vitória (PR) e Mafra (SC)/Rio Negro (PR).

Telecomunicações - Novas tecnologias e tendências - PLC

PLC/BPL - Internet pela rede elétrica


A tecnologia de transmissão de sinais (dados e voz) utilizando rede elétrica energizada teve início nas décadas de 1920/30, era analógica e conhecida como “Carrier”, hoje já obsoleta e com pouco uso. Servia como principal meio de comunicação entre subestações transformadoras e os centros de operação das empresas e os sinais trafegavam pelas linhas de transmissão de alta tensão. Por se tratar de sistema com confiabilidade abaixo da desejada foi sendo gradualmente substituída por diversos avanços tecnológicos, como microondas, fibra ótica, linha discada e celular.

Atualmente está em evidência a implantação de sistemas de transmissão de sinais voltada principalmente para acesso a Internet utilizando como via de tráfego os sistemas elétricos de média e baixa tensão, em função das vantagens econômicas proporcionada pela capilaridade das redes, o que dispensa todo o investimento de acesso às instalações prediais dos potenciais consumidores deste produto.

São os chamados sistemas digitais Power Line Communications (PLC) e Broadband over Power Line (BPL), este último em banda-larga e de altíssima velocidade, que propiciam aos usuários acesso à Internet através de modem que pode ser ligado a qualquer tomada de baixa tensão.

Algumas concessionárias já se interessaram por este novo filão de mercado há algum tempo e vem testando estas tecnologias e algumas já possuem inclusive programas pilotos em funcionamento.

Sem regulamentação sobre o assunto, as agências reguladoras brasileiras (Aneel e Anatel) realizaram audiências e consultas públicas para subsidiar suas decisões acerca dos requisitos a serem obedecidos na implantação e operação destes sistemas de telecomunicações em cima de sistemas de distribuição de energia.

A Anatel estabeleceu a Resolução 527/2009 que Aprova o Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofreqüências por Sistemas de Banda Larga por meio de Redes de Energia Elétrica” e a Aneel publicou a Nota Técnica 009/2009 “Proposta de regulamentação da utilização das instalações de distribuição de energia elétrica como meio de transporte para a comunicação de sinaise realizou a Audiência Pública 010/2009 para discutir a minuta de resolução de sua competência que “Regulamenta a utilização das instalações de distribuição de energia elétrica como meio de transporte para a comunicação de sinais”.

Portanto, tudo parece correr de acordo com as ações necessárias e suficientes para a implantação de uma nova tecnologia com favoráveis perspectivas de sucesso, porem ainda não é possível afirmar que haja consenso neste encaminhamento e nem que os relacionamentos entre as diversas partes e agentes envolvidas sejam pacíficos.

Ocorre que por se estar aplicando uma tecnologia de ponta (BPL) em cima de sistemas não projetados para servir a este fim (rede elétrica) há “efeitos colaterais” indesejados e que nem sempre encontram solução técnica de contorno adequada, o que provoca reação por parte daqueles que prevêem prejuízos para seus sistemas já implantados.

Basicamente são problemas relacionados à compatibilidade eletromagnética, devido aos sinais serem de alta freqüência e os fios não possuírem blindagem (1,2) e de projeto da rede (3), quais sejam:

1-interferência externa que o BPL pode vir a provocar, principalmente em outros sistemas de comunicação que operam em freqüências próximas das faixas de freqüência liberadas;
2-sensibilidade do BPL frente a ruídos produzidos por equipamentos (eletrodomésticos e eletrônicos) de uso dos consumidores;
3-atenuação do sinal por diversos fatores construtivos da rede elétrica.

Na Resolução da Anatel foram estabelecidos limites de intensidade de campo para radiações indesejadas, com a finalidade de evitar interferências que afetem dispositivos externos, como as recepções de radio, televisão, telefones sem fio, etc, porem esta iniciativa ainda não foi avalizada como medida eficaz pelas entidades de classes coorporativas dos setores potencialmente sujeitos a serem afetados. Adicionalmente foram definidas também faixas de freqüência e zonas geográficas de exclusão da tecnologia.

A situação de sensibilidade da tecnologia BPL frente aos ruídos provocados por aparelhos de uso comum, como: motores com escovas (furadeira, aspirador de pó, barbeador, secador de cabelo, etc), fontes chaveadas, transitórios devido à operação de capacitores, dimmers, etc dependerá das soluções de contorno dos fabricantes. É certo porem, que o modem não poderá ser ligado a equipamentos bloqueadores de alta freqüência, como transformadores, filtros de linha e estabilizadores de tensão.

Para resolver o problema de atenuação, os sistemas deverão incorporar dispositivos repetidores de sinal, quando necessário.

A discussão acerca da viabilidade de tornar esta tecnologia disseminada em larga escala é global, ou seja, outros países também estão compartilhando os mesmos dilemas e alguns estão assumindo por conta própria os riscos do pioneirismo. No Brasil a Anatel vem assumindo a regulamentação acerca de requisitos técnicos visando estabelecer regras voltadas à padronização, faixas de freqüências liberadas e limites a serem cumpridos e a Aneel estabelecendo as condições de compartilhamento dos ativos sem prejuízo a qualidade do serviço, segurança e proteção das redes. Parte das receitas da exploração deste novo serviço deverá ser destinado à modicidade tarifária.

Para as concessionárias de distribuição de energia, alem de exploração de um novo negócio que lhe proporcionará novas receitas, esta tecnologia tem um atrativo adicional, pois coloca a disposição um meio físico de custo favorável para a disseminação de Rede Inteligente (Smat Grid), podendo integrar nos sistemas de gestão, operação, manutenção, etc, grande parte dos equipamentos de manobra, controle e proteção com recursos de telecomando, abrangendo até gestão individual de consumidor (corte, religamento, leitura, etc) atuando remotamente nos medidores de consumo que deverão proximamente evoluir para mecanismos eletrônicos (Smart Meter).

Se comprovada a viabilidade da disseminação da tecnologia e o mercado responder favoravelmente na aquisição de serviços de BPL, terá sido um passo relevante na evolução tanto dos sistemas de telecomunicações como nos de distribuição de energia elétrica.